6 de maio de 2008

Contemporâneo


Os sonhos explodem no céu,
Ninguém vê.
As luzes queimam, as máquinas gritam,
Ninguém percebe.
Os corações estão ocupados,
Cegos e aprisionados,
Ninguém sente.

O amor já não é mais o mesmo.
O céu já não é mais o mesmo.
As estrelas continuam sendo estrelas
- estão muito longe para serem tocadas -
Mas já foram contadas.

A natureza está doente,
A inocência se prostitui na esquina,
Deus está morto.

E nós?
Quem somos nós?


( Wálisson Menezes )

Um Punhal


Tenho nas mãos um punhal
Forjado em prata pura
E resfriado no sangue sagrado dos suicidas.
Um punhal que não é usado para defesa,
Nem como arma em crimes estúpidos.
Mas sim como auto punição
Aos meus impensados atos infantis.

Um punhal que bebe do meu sangue
Sempre que aflinjo com palavras
Aqueles a quem eu mais amo,
Ou atinjo com pedradas
Aqueles a quem eu mais odeio.

Um punhal que fende minha carne
Sempre que esta mesma carne
Se torna desconfortável ao meu espírito.
Ou esse espírito se rebela
E tenta vôos proibidos por terras estrangeiras.

Porque a dor da carne
É a dor do espírito
E a dor do espírito
É a dor da carne.


( Wálisson Menezes )