9 de janeiro de 2010

A Morte



Quem me dera que todos os dias
O dia morresse num sorriso.
Quem me dera que toda manhã
O dia me acordasse com um beijo.
Muitas vezes brotam flores em meus lençóis
Muitas vezes adormeço ao relento,
Banhado em sereno
Nos braços da madrugada.
Mas nunca, sequer uma vez,
Senti-me derrotado
Ou esqueci minha condição de filho do sol.

Quem me dera sentir todos os gostos,
Todos os cheiros e sons.
Quem me dera ver as coisas
Como elas realmente são.
Muitas vezes eu fui o único
a saber oque estava fazendo.
Muitas vezes eu não sabia que estava errado.
Mas nunca, nunca nessa vida
Me esqueci que estava vivo
Pleno e forte
Ardendo no seio do universo.

Algumas pessoas nascem
Para viver com a morte.
Outras pessoas nascem
Para morrer de vida.
O que nos coloca nesse mesmo barco
À deriva no oceano,
È nossa vontade
De renascer em explosão,
Iluminando as estrelas e o silencio da noite,
Que é o silencio da morte.


( Wálisson Menezes )

4 de janeiro de 2010

Humano



Tenho andado pensando
Tenho andado falando
Penso coisas que não entendo
Digo coisas em que não acredito

Tenho dois olhos que nada veem
Dois ouvidos que nada ouvem
Tenho uma boca que nada diz
Duas mãos que nada tocam

Pergunto as horas com o relógio no pulso
Jogo na loteria sabendo que não vou ganhar
Critico quem não pensa da mesma forma que eu
Odeio automaticamente tudo aquilo que não entendo

Acho que estou ficando louco
Um pouco mais do que sempre fui
Ou talvez
Esteja ficando velho

Mas o mais provável
e assustador
É que talvez
Eu esteja apenas me tornando
Humano


( Wálisson Menezes )