Brincando sob os lençóis da madrugada, ela e eu, éramos loucos. Como gatos, pulamos o muro e invadimos sua antiga escola. Encontramos labirintos de perfumes, climas e histórias, passeando entre os túmulos de nossos antigos sonhos.
De dentro de seus buracos de rato, os anjos espiavam, fascinados. Brincavam entre si; berrando orações imorais e velhos feitiços. E a cada momento rodeávamos sorrindo um ao outro, como quem encontra algo fascinante e desconhecido.
As mãos dadas, nos ensinamos a dançar a dança das arvores e das flores, que nos entorpecia e incendiava, iluminando o pátio escuro e esquecido pelo sono da cidade deserta.
Lá vencemos a nós mesmos, deixamos cair nossas máscaras, esquecemos nossos medos. Fomos deuses rebeldes, que em meio as sombras, dispararam maldições contra a mesquinharia humana.

