22 de dezembro de 2008

Os Sapatos Molhados de Deus


Chutando as poças dágua no asfalto
ía eu pensando.
pensava que era Deus,
que tinha um grande propósito nesse mundo,
e me via com um grande manto branco,
que de tão branco,
chegava a ofuscar meus olhos.


Ía eu pela sarjeta
sonhando com o passado.
Mas não o meu passado,
e sim o passado do universo.
E sabia que tinha todas as estrelas
nos bolsos do meu jeans.
E que se algo me fizesse chorar
os anjos desceriam em fúria
derramando o caos sobre a terra.


Meus sapatos estavam molhados
e a lama subia pela barra da minha calça,
mas nada disso me importava.
Se meus pés tocavam o chão,
o céu tocava minha testa.
e me erguia tão alto como as montanhas
para que eu pudesse espiar oque havia depois delas.


Mas de repente percebí
que nem ao menos me conhecia,
Como então poderia saber
quem eu era ?
Foi então que o manto desapareceu,
as estrelas se apagaram
e as montanhas cresceram imponentes.


Abaixei a cabeça,
continuei chutando as poças d'água no asfalto
e reparei que precisava trocar de sapatos
ou logo logo iria me resfriar
.


( Wálisson Menezes )

19 de dezembro de 2008

Maioria Morta


Várias vezes dei ouvidos
Ás vozes cegas da maioria morta.
Sempre me dizendo oque fazer e oque não fazer...

"Obedeça seus pais",
"Não seja tão impulsivo",
"Não fume", "não beba",
"Use sempre camisinha".


Minha vida inteira circulei,
Pelas engrenagens enferrujadas
De um mundo caduco.
Com os olhos fechados e a boca costurada
Estudei, 

Trabalhei,
Paguei em dia minhas contas.


Por quê ?
Pra quê ?
Se no final,

Só me restou esse vazio,
Essa dor,
Esse poema
E essa navalha.




( Wálisson Menezes)